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As pulgas são insetos holometabólicos3, onde dos quatro estágios de desenvolvimento (ovo, larva, pupa e adulto) somente o último estágio ocorre no corpo de hospedeiro. Esses hospedeiros são preferencialmente animais endodérmicos (liberam calor de seu corpo) por isso são na maioria mamíferos de espessa pelagem.
A hematofagia é exclusiva da fase adulta e obrigatória para os dois sexos, podendo ser realizada tanto durante o dia quanto à noite. Cada repasto duro cerca de 10 minutos, com duas a três refeições ao dia. Num período de 48 horas, os adultos aumentam de peso consideravelmente chegando a sugar 14 micro litro de sangue.
Após a cópula e a hematofagia as fêmeas iniciam a oviposição. A fêmea vai pondo seus ovos bem lentamente até que o número de ovos postos atinja cerca de 200 a 400, dependendo da temperatura e umidade eles irão eclodir (surgir) num espaço entre 2 dias a algumas semanas, porém a maior parte eclodirá de 7 a 14 dias, se as condições forem favoráveis.
Os ovos são claros, de redondos a ovóides, medem cerca de 0,5 mm de diâmetro (tamanho que mal lhes permite serem vistos a olho nu). São postos geralmente no corpo do hospedeiro ou largados no chão por adultos que caíram (pularam do hospedeiro) em locais que facilitam seu desenvolvimento como tapetes, carpetes ou colchões. Isso pode ser explicado pelo fato dos ovos não se fixarem no corpo do hospedeiro indo abrigar-se em tapetes, carpetes, estofamentos, colchões e frestas/fendas nos pisos.
As larvas são vermiformes4, ápodes5, muito ativas e possuem fototropismo6 negativo e se desenvolvem no ambiente nos mesmos locais onde caem os ovos. Nesta fase alimentam-se de detritos orgânicos encontrados nesses locais, preferindo excretas das pulgas adultas representados por sangue coagulado e dessecado. A duração do período larval depende da temperatura, umidade e alimentação, variando de 9 a 24 dias. (TUCCI, 2002).
Após 1 a 2 semanas ou mais de vida a larva, após passar por 3 mudas, tece um casulo de superfície viscosa que adere a qualquer suporte cobrindo-se de poeira. No seu interior ocorre a metamorfose, formando-se a pupa. A fase pupal dura 4 a 8 dias no verão podendo, conforme a temperatura, prolongar-se por bastante tempo. Uma vez terminada a fase pupal aparece o imago que pode permanecer ainda alguns dias dentro do casulo.
As larvas são raramente vistas nos locais onde há infestações, a menos que se faça uma detalhada inspeção, pois costumam ficarem agarradas em pêlos de tapetes e carpetes, resistindo à aspiração.
A evolução total de uma pulga, em condições ótimas (21ºC ou mais), pode efetuar-se dentro de 7 a 10 dias dentro do casulo, não saindo imediatamente dele, mas sim de 7 a 14 dias depois de sua formação, contudo pode ficar na pupa de alguns meses a até mesmo um ano.
Condições boas de umidade e calor, a presença de CO2 (expelido pelo hospedeiro), além de sinais mecânicos (trepidação no piso por passos) poderão fazer as pulgas desenvolvidas, porém adormecidas, saíam das pupas. Isso explica porque algumas vezes, em certos locais por longo tempo desocupados ocorrem muitas vezes infestações de pulgas famintas por sangue e que atacam vorazmente quem entra no local, nesse caso há duas explicações: a existência de pulgas adultas ainda vivas no local e o rompimento dos casulos pela trepidação no piso anunciando a chegada de hospedeiros, pois ficam a espera de movimentação ou da atividade normal da casa ou do ambiente, isto pode ser percebido após a volta de viagens por exemplo.
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