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Os cupins ocorrem nas áreas tropicais e temperadas do mundo. Reúnem-se todos na Ordem Isoptera (do grego, isos = igual, ptera = asas, pois os alados apresentam dois pares de asas quase iguais). Esta ordem tem mais de 2000 espécies descritas. Excluídos os fósseis, estão representados nas Américas por cerca de 90 gêneros em 5 famílias, com cerca de 640 espécies.
Registram-se no Brasil cerca de 290 espécies em 67 gêneros. Este número de espécies é seguramente subestimado, pois há muitas espécies novas para descrever e outras, já descritas, provavelmente serão assinaladas no nosso meio.
Os cupins são insetos sociais que vivem em colônia sob uma total interdependência entre os indivíduos e sobreposição de gerações. Na colônia os indivíduos são divididos em castas, adaptadas ao ofício que desempenham, e vivem em ninhos ao qual também chamamos de cupinzeiro, que possui as condições microclimáticas muito bem controladas e adequadas à vida saudável e segura dos cupins.
Há basicamente 3 castas de indivíduos diferenciados morfologicamente e com funções bem definidas na colônia: reprodutores ou alados, operários e soldados. Em uma colônia saudável também encontram-se ovos, larvas e jovens;

Os alados são responsáveis pela proliferação da colônia. Reis, rainhas e reprodutores de substituição são os indivíduos que surgem em certas épocas do ano, geralmente na primavera e verão, antes ou depois das chuvas. Esses indivíduos após o estágio larval adquirem asas que lhes proporcionam a possibilidade de alçar voos de dispersão num fenômeno que conhecemos como revoada ou enxamagem. Esses indivíduos alados são também conhecidos como siriris e são compostos de machos e fêmeas que possuem forma bem diferente, dos demais membros das outras castas, com 1 par de asas, uma coloração mais escura, corpos achatados e grandes olhos compostos.

No processo de saída destas formas do cupinzeiro,eles invertem seus instintos naturais procurando luz e locais abertos e se associam em pares, em certo tempo, após a revoada, perdem as asas e procuram locais propícios ao começo de uma nova colônia.
Segundo a literatura, somente após a perda das asas é que macho e fêmea se atraem para originar a nova colônia sendo chamados de rei e rainha primários. No início da colônia a rainha fecundada inicia a formação do ninho construindo as primeiras células. A rainha armazena os espermas dos machos em uma bolsa chamada espermateca que vai sendo utilizada ao longo da vida para fecundação dos ovos. Com o tempo a rainha vai desenvolvendo o seu ovário e glândulas, tendo seu abdômen expandido em um fenômeno denominado fisiogastria.
Com dois anos de vida a rainha atinge a maturidade colocando em média de 12 a 30 mil ovos por dia e podendo viver até 25 anos. Além da rainha primária há também as rainhas suplementares ou de substituição. De acordo com especialistas, essas rainhas são ninfas em vários estágios de crescimento, que têm seu desenvolvimento reprodutivo repentinamente acelerado, ao passo que seu desenvolvimento natural para soldado ou alado é inibido. As rainhas suplementares são muito mais ativas que as primárias, uma vez que estas rapidamente as substituem em caso de ferimento ou morte. A importância das rainhas suplementares dentro do desenvolvimento da colônia é grande, pois elas aumentam a população existente em curto espaço de tempo. Há registros de migrações de rainhas suplementares auxiliadas por alguns soldados e operários com o objetivo de iniciar novas colônias, podendo então concluir que observadas certas condições uma colônia nunca morre, visto que as rainhas suplementares substituem as primárias quando estas têm algum impedimento em realizar suas funções básicas.
Os cupins operários são casta neutra, por serem estéreis. Porém, diferentemente das abelhas e formigas (cujas castas não reprodutoras são compostas exclusivamente por fêmeas), operários de cupins preservam o sexo genético, bem como resquícios do aparelho genital e das gônadas, correspondentes ao respectivo sexo.
Os operários são os indivíduos mais numerosos dentro de um cupinzeiro, tendo como incumbência as funções rotineiras da colônia: obtenção de alimento; construção, reparação, expansão e limpeza do ninho e túneis a eles associados; canibalização de indivíduos mortos; cuidam das larvas, ovos, formas jovens, soldados e reprodutores com fornecimento de alimento. São os operários os responsáveis pelos danos causados a madeira e produtos a base de celulose.
Muitos especialistas crêem que a classe dos operários é um resultado da classe dos soldados, uma vez que os operários são inexistentes em espécies de cupins mais primitivas, por esta razão vemos que em certas espécies de cupins de madeira seca (não é o caso da espécie que infesta o nosso país) há reprodutores e soldados, contudo não há operários, quem faz o trabalho dos operários nestas espécies são as ninfas que mais tarde evoluirão para soldados ou reprodutores. Os operários atingem a maturidade com cerca de um ano, podendo ser tanto machos como fêmeas.
Os soldados assim como os operários são casta neutra e são indivíduos bastante diferentes dos demais componentes da colônia. Essa diferença reside principalmente na forma de sua cabeça, que além de ter uma cor mais escura em relação ao seu corpo, é grande, dura, composta de um par de grandes mandíbulas.
A quantidade de soldados dentro de uma colônia geralmente é muito menor do que a de operários, o soldado não possui asas, é cego, sendo que seus olhos são tão pouco desenvolvidos que, em certos casos, poderíamos dizer que quase não os possui. Seu corpo é mole como dos operários e ninfas, são alimentados pelos operários ou pelas ninfas, pois são incapazes de se alimentarem sozinhos. A principal função dos soldados é a defesa da colônia contra seus inimigos naturais, especialmente as formigas. Quando algum intruso tenta entrar em uma colônia através das galerias os soldados imediatamente bloqueiam esta passagem usando suas cabeças (se a passagem for pequena), caso não seja, montam guarda em volta desta entrada com suas mandíbulas bem abertas e preparadas para dilacerar quem se atreva a chegar perto. Em algumas espécies os soldados usam como defesa uma substância ácida que é expelida através de sua boca.
Os cupins são essencialmente xilófagos, tendo portanto sua alimentação constituída basicamente de materiais de origem vegetal ricos em celulose. Portanto, materiais como madeiras e seus derivados são os procurados pelos cupins. Contudo, cada espécie os consome de uma maneira diferente, os cupins subterrâneos, por exemplo, preferem consumir madeira que tenha sofrido a ação de fungos (decorrente da umidade), o que não parece acontecer com o de madeira seca. Apesar dos cupins serem insetos de corpo mole possuem mandíbulas em forma de serra que são capazes de consumir pequeninos pedaços de madeira por vez.
Entretanto cupins urbanos podem atacar materiais de natureza bastante diversa como: gesso, plástico, couros e tijolos.
Os operários são os responsáveis pela alimentação das larvas, dos reprodutores e dos soldados. Esse processo ocorre pela transferência de alimento mastigado diretamente da boca do operário para a boca do outro indivíduo. Este processo se chama trofaloxia.

As comunidades de cupins vivem em ninhos. O conjunto, comunidade e ninho, constituem a colônia. O ninho varia enormemente em complexidade arquitetural, dependendo da espécie considerada. Pode ser representado por simples conjunto de túneis difusos pelo solo e sem padrão arquitetônico bem definido, até uma construção muito elaborada, de padrão bem definido e de grande beleza plástica. Alguns ninhos podem atingir grandes dimensões, seja em altura, seja em diâmetro. Muitas espécies constroem ninhos arbóreos, que estão sempre em comunicação com o solo através de túneis que descem pelos troncos de árvores. Algumas outras espécies podem construir ninhos policálico, ou seja, pode ser composto de várias unidades, espalhadas pelos vãos da edificação e conectadas por túneis. Os ninhos preservam as condições microclimáticas (especialmente temperatura e umidade) adequadas à vida saudável de todos os indivíduos. Além de moradia o ninho provê segurança contra inimigos e contra as adversidades do meio ambiente.Nele se abrigam todos os indivíduos que não estão envolvidos em atividade externa de forrageamento (procura e coleta de alimento), os reprodutores e os imaturos em várias fases de desenvolvimento.

Com exceção dos alados o restante dos indivíduos de uma colônia de cupins não possuem capacidade visual. Por isso se orientam e comunicam através de odores excretados pelo corpo ou através de sons.
São insetos que sofrem metamorfose incompleta se desenvolvendo em ovo, ninfas e adultos.
O processo inicia-se com o fenômeno da revoada, quando os reprodutores alados (siriris) saem voando dos cupinzeiros maduros (com certo tempo de existência). Os alados se desenvolvem geralmente no inverno e nos meses quentes quando as condições de temperatura, luz e umidade lhes são mais favoráveis, os operários constroem saídas especiais (em forma de tubos) para saída dos alados do cupinzeiro. A revoada ocorre geralmente ao entardecer ou início da noite, quando os cupins alçam vôo geralmente em direção a pontos de luz. A revoada dura em média 30 minutos, quando os alados perdem suas asas e passam a procurar o sexo oposto para formar os casais e acasalar. Macho e fêmea irão procurar um local abrigado para iniciar a colônia, geralmente em baixo do solo sob uma pedra ou madeira. Criam uma célula onde a fêmea começa a postura de ovos, sendo apenas algumas dúzias na primeira estação. A rainha, com o tempo têm o seu abdômen expandido em várias vezes o seu tamanho (fisiogastria), com o objetivo de armazenar várias dezenas de ovos.
Os ovos uma vez postos sofrem um processo de incubação que pode durar de um a três meses de acordo com a espécie. Dá-se início ao crescimento dos indivíduos da colônia que passam por vários estágios intermediários até que geneticamente se definam suas funções dentro da colônia, havendo nesta fase dois tipos de desenvolvimentos diferentes:
Os cupins operários estão sempre buscando novas fontes de alimento e o fazem de maneira contínua e desordenada (sem direção definida), tal fenômeno é chamado de forrageamento. Algumas espécies buscam estas novas fontes de alimentos se movendo através de passagens ou caminhos chamados de túneis ou trilhas. Esses túneis servem de proteção contra os raios solares, o quê mantém a umidade do corpo dos cupins, além de evitar a ação de inimigos naturais. Estes Túneis são confeccionados pelos operários através de uma mistura de saliva, fezes e solo. Quando os túneis são rompidos, os cupins os consertam rapidamente quando estão sendo usados. Os túneis rompidos que não são consertados indicam que não estão sendo usados ativamente naquele momento. A construção dos túneis pode ser feita a velocidade de 2,5 cm por hora, mas geralmente são construídos a uma velocidade menor.


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