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Cupins e Brocas

 

Cupins

São insetos sociais, isto é, que vivem em colônias numerosas, nas quais apresentam organização hierarquizada em castas adaptadas a exercerem funções diferentes, e sobreposição de gerações. Estão presentes em todas as áreas urbanas do País, onde a quase totalidade das espécies é inofensiva e, em realidade, é imprescindível para a manutenção da sanidade do solo de jardins de residências e de áreas públicas, que revolvem e mantêm porosos e macios, beneficiando o crescimento das plantas.

No Brasil se conhecem umas 270 espécies, e apenas umas 10 são pragas urbanas, estas representadas principalmente por espécies oriundas de outras regiões do mundo (pragas exóticas). As pragas compõem três grupos principais: cupins de madeira seca, cupins subterrâneos e cupins arborícolas.

A biologia de cada espécie é diferente, bem como a maneira de interagir com o ambiente, de modo que o controle costuma incluir um conjunto de medidas, cujo sucesso depende de ser feita à dinâmica de infestação, própria de cada espécie e de cada condição urbana. O hábito recluso torna a infestação inicial inaparente, somente se revelando quando a colônia já é bem populosa e o estrago vai bem avançado e disseminado. È uma “praga oculta”, que geralmente requer avaliação especializada para diagnóstico preciso da infestação e do conjunto de medidas de controle.

 

Aspectos gerais da biologia

Cupins apresentam metamorfose incompleta. Dos ovos eclodem ninfas, que, entretanto não são parecidos com as castas terminais. Por isso, são denominadas “larvas” (conotação diferente das larvas dos insetos com desenvolvimento completo ou holometábolo) ou simplesmente imaturos, sempre de coloração branca, enquanto o termo ninfa é aplicado somente aos imaturos com cotos alares, que se desenvolvem em alados. Desenvolvem-se gradualmente para compor as três castas: alado ou casta reprodutora; operário, áptero e que trabalha em todas as funções de manutenção da colônia; soldado, áptero que realiza a defesa. As castas do operário e soldado são ditas neutras, pois embora providas de gônadas masculinas ou femininas e outros resquícios de órgãos genitais, são estéreis. A casta do soldado pode faltar em muitas espécies de cupim.

Os alados são popularmente conhecidos por siriris ou aleluias e revoam sazonalmente, em grandes enxames, que saem dos ninhos em época e horário próprios para cada espécie. A cópula não ocorre durante o vôo, que serve para a dispersão da espécie. Findo o vôo, que comumente é curto, constituem-se os casais (par real), que buscam abrigo adequado para fundar novas colônias; somente então, depois de bem abrigados, ocorrerá à cópula. A fêmea é a rainha da colônia e aumenta sua capacidade de oviposição com o passar do tempo; seu abdome hipertrofia lentamente, à medida que cresce a sua capacidade reprodutora. O macho é o rei e copula com a fêmea periodicamente. Conforme a espécie de cupim, o casal real pode transitar livremente pelo ninho, ou permanece confinado em uma câmara real, da qual jamais sairá. Os operários formam a casta mais numerosa e respondem pelo dano provocado pelos cupins pragas. Coletam alimento, constroem e reparam ninho e túneis, cuidam da prole e das demais castas, às quais também fornecem alimento. Os soldados atuam na defesa do ninho, túneis e dos operários durante a coleta de alimento no exterior. As castas do operário e soldado podem ser monomórficas (todos os espécimes com a mesma forma e tamanho) ou polimórficas (com dois ou três tamanhos e/ou formas). Nas colônias também podem existir reprodutores secundários, originários de ninfas ou operários, além de termitófilos consistindo principalmente de coleópteros simbióticos, que convivem com os cupins, tanto pacificamente como na condição de predadores.

Os cupins vivem em ninhos, cuja localização, estrutura e material de construção variam conforme a espécie. Os cupins de madeira seca apenas escavam a madeira de que se alimentam. Ninhos construídos principalmente de fezes ricas em material lenhoso, que lembra cartão ou papelão, são designados cartonados. Ninhos construídos sobre suportes são ditos arborícolas; ou na superfície do solo são epígeos ou de montículo; os que estão na profundidade do solo são subterrâneos; os que estão nas partes altas das edificações, sem contato com o solo, são aéreos; os que se compõem de câmaras e túneis mais ou menos agregados na profundidade do solo, sem limites bem definidos, são designados difusos. Todas as categorias de ninhos podem ser simples (uma unidade) ou compostas (várias unidades, interligadas por túneis e compondo uma única colônia).

 

Cupins Subterrâneos:

Reconhecimento: Cupins da família Rhinotermitidae, com operários esbranquiçados, de corpo alongado e dotados de “cintura” (abdome mais largo que o tórax). Soldados freqüentes, com corpo claro e alongado, e cabeça amarelada a amarelo-alaranjada. Pragas mais comuns: Coptotermes gestroi, disseminado nas cidades da região sudeste, mas também presente no nordeste (Pernambuco), centro-oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e sul (cidades costeiras do Paraná e Santa Catarina, e em Porto Alegre); Heterotermes assus, na região sudeste; Rhinotermes marginalis, na região amazônica e, por introdução, na região sudeste. Todas essas espécies estão em franca expansão geográfica, a partir dos locais originais de introdução, onde são pragas exóticas. Espécies nativas de Heterotermes (H. tenuis, h. longiceps) também podem se tornar pragas urbanas.

Hábitos: Cupins subterrâneos alimentam-se de madeira, mas vivem em ninhos construídos fora do alimento, em locais, bem ocultos e protegidos (ninhos endógenos). São capazes de transitar amplamente no ambiente (solo, edificações, árvores) e podem dispensar totalmente o contato com o solo (terra propriamente dita), constituindo infestações aéreas, em locais mais altos das edificações. As trilhas e as peças atacadas recebem um revestimento fecal de cor clara, acastanhada, típico dos cupins subterrâneos. Comumente mantêm intacta a superfície exposta das madeiras infestadas (exceto em grandes infestações) e constroem túneis em arestas e fendas, o que torna a infestação pouco perceptível.

Podem ser muito vorazes e daninhos em curto prazo. São pragas importantes de edificações e têm nas árvores infestadas um importante reservatório urbano.

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Soldado Coptotermes gestroi

 

Cupins de Madeira Seca:

São muito comuns em componentes de telhados, batentes, esquadrias, topos de postes, móveis, pisos, janelas, portas e diversas outras peças de madeira. Algumas vezes, o ataque por estes insetos é confundido com ataque por brocas (coleópteros). Sua presença é indicada pelo aparecimento de um pó escuro, constituído por pequenas esferas. Os sintomas de ataque do cupim normalmente se confundem com o ataque de brocas pela similaridade dos dejetos. A diferença está na granulometria, o cupim tem o pó granulado e a broca tem o pó fino. Embora não tenham colônias muito numerosas, um ataque pode causar sérios prejuízos, uma vez que o mesmo, em geral, se é detectado quando as partes internas de uma peça estão em adiantado estado de destruição. Eles constroem inúmeras galerias dentro da madeira, por onde circulam livremente, e produzem pequenos grânulos ovalados (fezes), que são acumulados em uma câmara (cavidade) próxima à superfície da madeira e que, de tempos em tempos, são descarregados para fora da peça atacada, como forma de limpeza das galerias. Em geral o ataque por esse tipo de inseto é detectado pela presença desses grânulos no ambiente. É conveniente lembrar que o cupim de madeira seca é uma praga associada às estruturas de madeira montada ou produtos acabados. Raramente estes insetos atacam madeiras em serrarias ou nos processos de extração, pois nesses locais a madeira não permanece tempo suficiente, salvo quando ficar estocada por longos períodos, possibilitando a instalação e desenvolvimento de uma colônia, o que é uma tarefa demorada.

A principal espécie de cupim de madeira seca é o Criptotermes brevis.

Descrição: também são facilmente identificados pela casta do soldado; antenas com 13 segmentos e a cabeça fragmótica marrom escura a preta com superfície bastante enrugada; as mandíbulas dos soldados não se projetam muito; a cabeça do soldado tem um diâmetro de 1,2 a 1,4 mm, sendo que os soldados usam suas cabeças para tampar a entrada do ninho para protegê-lo da invasão de formigas, que são denominados de cupins tampas-vivas.

Habitat: vive inteiramente dentro da madeira da qual se alimenta e conserva a umidade; por meio de produção de fezes secas, que quando novas são brancas e à medida que envelhecem ficam escuras, não infesta árvores vivas.

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Soldado Cryptotermes brevis

 

 

Cupim Arborícola:

Os cupins arborícolas recebem esse nome devido ao hábito de construírem seus ninhos sobre árvores. Esses cupinzeiros geralmente são grandes e possuem coloração bem escura, próximo ao negro. Os ninhos também podem estar apoiados sobre postes, paredes e madeiras em geral.

A principal espécie de cupim arborícola é a Nasutitermes corniger, também citada por outros autores como Nasutitermes araujoi ou Nasutitermes globiceps. Essa espécie constrói túneis e galerias que vão desde o ninho até o chão.

Uma mesma colônia de cupins arborícolas pode apresentar vários reis e rainhas. Assim, a eliminação de uma rainha não implicará no controle da colônia. Os soldados apresentam na cabeça uma estrutura bem desenvolvida, cujo formato lembra um grande nariz pontudo. Por esse motivo, esses indivíduos são popularmente chamados de soldados nasutos. Suas mandíbulas, por outro lado, são pouco desenvolvidas, sendo quase imperceptível a olho nu.

Os cupins arborícolas atacam madeiras em geral. Eles são comuns em áreas urbanas, podendo atacar o madeiramento das casas, de modo a danificar as construções. São geralmente encontrados em madeiras de telhados que podem estar próximas a alguma árvore contendo um ninho. Atacam também a própria árvore que serve de suporte para o cupinzeiro.

Os ninhos são facilmente identificados por suas características peculiares. São grandes, negros, possuem formato mais ou menos esférico e se situam nas copas das árvores.

Os métodos preventivos para esse tipo de cupins não diferem muito das estratégicas para se evitar os demais tipos de cupins. Recomenda-se o uso de madeira previamente tratada e deve-se remover madeiras e entulhos contendo celulose nos locais próximos às construções.

Aconselha-se a retirada do ninho da árvore infestada. A reinfestação, no entanto, pode ser freqüente, uma vez que cupins arborícolas possuem várias rainhas.

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Soldado de Nasutitermes Sp

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Brocas

Brocas de Madeira:

Brocas de madeira, cujos adultos são besouros, pertencem a um grupo taxonômico distinto dos cupins, a ordem Coleoptera. Não são insetos sociais e o seu desenvolvimento pós-embrionário é do tipo holometábolo.

O ataque por brocas de madeira se inicia quando a fêmea adulta deposita seus ovos na madeira. Desses ovos eclodem as larvas que irão se alimentar daquele substrato até atingirem o estágio de pupa quando, então, se transformam em adultos. A fase larval é a mais longa da vida do inseto e a principal responsável pelos danos causados à madeira. Uma vez transformados em adultos, e essa transformação dá-se, regra geral, próximo à superfície, os insetos perfuram a madeira e saem para o meio externo. Fora da madeira, machos e fêmeas se encontram, se acasalam, e as fêmeas voltam a depositar seus ovos ou na mesma peça de madeira ou em outra.

A época em que os adultos saem da madeira é quando, mais facilmente, percebemos o ataque. Observa-se um orifício em torno do qual, ou nas suas proximidades, encontramos acumulado uma serragem, também denominada de resíduo ou pó de broca, e que é resultante da escavação feita pelo adulto para sair da madeira. Nesta fase o ataque é frequentemente confundido com o ataque de cupins de madeira seca. Não há razão, entretanto, para essa confusão uma vez que as fezes expelidas pelos cupins são perfeitamente distintas dos resíduos produzidos pelas brocas.

A madeira é a fonte de alimento para a maioria da brocas, sobretudo o amido contido nesse substrato. Além da quantidade e qualidade dos nutrientes presentes na madeira, o desenvolvimento desses insetos é também influenciado por outros fatores, dentre os quais principalmente umidade e temperatura, em maior ou menor grau dependendo da espécie. Desde a árvore viva até a madeira em uso, diferentes grupos de brocas atacam a madeira nas diferentes fases do seu beneficiamento. Assim, a despeito da enorme variedade de espécies podemos, de uma maneira prática, agrupar as brocas em três grupos conforme o estágio em que a madeira se encontra, o qual está diretamente relacionado com o seu teor de umidade. Essa classificação, feita a partir dos dados de Lepage (1986), considera o hábito mais freqüente dentro de cada grupo e não se aplica, necessariamente, a todas as espécies de um mesmo grupo.

Brocas que atacam a árvore viva ou recém abatida:

São estágios onde a madeira encontra-se com alto teor de umidade e as brocas que ocorrem nessas condições são principalmente das famílias Cerambycidae, Platypodidae e Scolytidae. Os cerambicídeos são conhecidos como brocas caulinares de árvores vivas, mas atacam também árvores recém abatidas e madeiras apodrecidas. Dependendo da espécie o ataque pode restringir-se à porção logo abaixo da casca, ou penetrar no alburno ou ainda ser profundo, atingindo o cerne da madeira. A espécie Hylotrupes bajulus, sério problema nos países do hemisfério norte é, entretanto, uma broca de madeira seca. No Brasil esta espécie é encontrada desde o Estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul. A madeira recém abatida contém ainda um elevado teor de umidade e brocas das famílias Platypodidae e Scolytidae são freqüentes nesta fase. Dentro desse grupo encontramos também espécies que atacam árvores vivas e que em algumas regiões do mundo constituem um grande problema porque podem causar a morte da árvore. A grande maioria dessas brocas são espécies que, ao depositarem os ovos na madeira, inoculam um fungo que servirá como principal alimento para as larvas. Esses fungos, denominados de ambrosia são os causadores das manchas que vemos ao redor dos orifícios e ao longo das galerias desses insetos. Mesmo quando o ataque não foi profundo, a grande quantidade de orifícios e galerias e as manchas causadas pelos fungos depreciam muito o valor da madeira. Devido à exigência, desses insetos e dos fungos, de uma alta umidade na madeira para seu desenvolvimento, a madeira seca está livre do ataque desses insetos.

Brocas que infestam a madeira durante a secagem:

Nesta etapa a madeira apresenta teores médios de umidade e o principal grupo de brocas nessa fase são os representantes da família Bostrychidae. Os bostriquídeos podem ser observados eclodindo de madeiras secas ou já em uso pelo homem. Isto ocorre porque esses insetos, embora infestem a madeira enquanto ainda úmida, conseguem completar seu desenvolvimento na madeira seca. Este é um fator que contribui muito para que esses insetos possam ser introduzidos em outras regiões. Representantes das quatro famílias anteriormente citadas, Cerambycidae, Platypodidae, Scolytidae e Bostrychidae podem ser encontrados em habitações. Isto ocorre porque, algumas dessas brocas conseguem completar seu ciclo de vida na madeira seca, caso típico dos Bostriquídeos, ou, razão ainda mais freqüente, a madeira utilizada nesses casos não estava completamente seca ou foi utilizada imediatamente após a secagem. 86 n Insetos deterioradores de madeira no meio urbano Brocas que atacam madeiras secas A madeira seca, apresentando teores de umidade abaixo de 30%, é a condição da maioria das madeiras em uso pelo homem. Insetos das famílias Anobiidae e Lyctidae são as principais brocas que atacam a madeira nessas condições.

 

Anobídeos:

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Os besouros da família Anobiidae apresentam hábitos alimentares variados, podendo atacar sementes e caules de várias plantas, produtos manufaturados de origem vegetal ou animal, madeira, livros etc. Espécies dos gêneros Anobium e Trycorinus são os representantes mais freqüentemente encontrados atacando madeiras, enquanto que em bibliotecas encontramos principalmente brocas do gênero Falsogastrallus e também de Trycorinus (Lepage, 1982). Para a postura dos ovos, a fêmea desses insetos procura geralmente na madeira bruta, não polida, pequenas frestas ou antigos orifícios de emergência. Substratos relativamente moles ou felpudos, são também preferidos para a postura dos ovos. A fêmea coloca em média, cerca de 30 ovos. As larvas eclodem entre 14 a 18 dias após a postura. A fase larval dura aproximadamente um ano, a de pupa cerca de três semanas e o adulto em torno de um mês. Dentre as espécies xilófagas há algumas que preferem madeiras antigas, razão pela qual são freqüentemente encontradas atacando acervos de museus. As razões para esta preferência não está de todo esclarecida, havendo fortes indícios de que, com o passar do tempo, a madeira, modificando-se quimicamente, torna-se mais atrativa para esses insetos.

Lictídeos:

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Diferentemente dos anobiídeos, a família Lyctidae é essencialmente xilófaga. O amido, principal fonte de alimento desses insetos, é encontrado principalmente na região de alburno de madeiras do grupo das angiospermas. Madeiras ricas em amido, como é o caso da virola, são preferidas pelos lictídeos. Dentre as brocas-de-madeira, os lictídeos são os que toleram os mais baixos teores de umidade, tendo sido registrado sua presença em madeiras com 7% de umidade. As espécies mais freqüentemente encontradas entre nós pertencem aos gêneros Lyctus e Minthea. O ataque de Lictídeos é facilmente reconhecido pelo resíduo muito fino, semelhante a talco, que é expelido pelo orifício de emergência do adulto. A fêmea deposita os ovos no lúmen dos vasos da madeira, que antes é testada quanto à quantidade de amido. Portanto, a quantidade de amido, o número de vasos e o tamanho do lúmen são fatores fundamentais para determinar a susceptibilidade de uma madeira ao ataque de Lictídeos. Devido a essas exigências, certas madeiras, muito suscetíveis a outros insetos, não são atacadas pelos lictídeos por não apresentarem essas características, é o caso de madeiras de Pinus.